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Tarifas: Brasil exportará mais, mas logística é entrave - 09/04/2025 - Mercado

Em ano de safra recorde, o Brasil deve ampliar suas exportações de soja para a China, com as tarifas impostas pelos Estados Unidos empurrando cada vez mais o país asiático para outros mercados. Mas há um limite para esse movimento, segundo especialistas: os gargalos logísticos brasileiros, que vão da armazenagem ao transporte de grãos.

No vai e vem da guerra comercial, ainda não é possível estimar quanto os chineses devem importar a mais do Brasil neste ano e nos próximos.

Apesar disso, os efeitos da tarifa anterior colocada em fevereiro deste ano pelos EUA, de 20%, já vêm aparecendo nos dados. Em março, mesmo antes da escalada recente, as vendas de soja para a China subiram 16,5% ante mesmo período de 2024, segundo o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), enquanto as compras dos chineses dos EUA caíram.

“Temos sinais claros de aumento da demanda por soja do Brasil. Mas ao mesmo tempo temos um cenário de limitações de infraestrutura“, afirma Thiago Péra, coordenador geral do Esalq-Log (Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da USP).

Há vários problemas, aponta ele. Um deles é que o Brasil possui uma capacidade de armazenagem de entre 60% a 70% da produção de grãos –o percentual vem caindo ao longo dos últimos anos com a forte alta da área plantada. Para se ter uma ideia, os Estados Unidos, por exemplo, possuem uma capacidade de armazenamento de 150% da produção.

Com isso, o Brasil sofre nos períodos em que a produção fica muito concentrada em um determinado período de tempo, e os caminhões, que já representam 54,2% do transporte de grãos no país, segundo a Esalq-Log, acabam virando armazéns sobre rodas.

O tamanho do problema, lembra Péra, dependerá do quanto a China importará a mais de soja brasileira por causa da guerra comercial, e também do quanto do grão o Brasil terá disponível para exportação, já que boa parte da produção é vendida para o mercado interno.

A Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais) vem alertando sobre restrições logísticas, apontando que a guerra comercial pode elevar a demanda pelo produto brasileiro, mas que o país pode não usufruir totalmente dessa alta na procura.

Para Sérgio Mendes, diretor geral da Anec, neste ano o problema pode ser contornado pelo fato de que o consumo de milho no mercado interno será menor, o que deve reduzir o volume exportado do grão, abrindo espaço para a soja.

“Teremos mais soja disponível para exportação devido à safra recorde, e precisamos aproveitar essa oportunidade. O que pode acontecer, como vimos em 2023 [ano de volume recorde de produção], é a extensão da janela de exportação”, diz. “Em janeiro de 2024, ainda exportávamos volumes superiores aos de janeiro deste ano.”

MUDANÇA DE PATAMAR EM 2018

Ana Luiza Lodi, especialista de inteligência de mercado da Stone X, lembra que o movimento de substituição da soja americana pela brasileira na preferência chinesa já vem acontecendo nos últimos seis anos, quando as tarifas colocadas no primeiro mandato de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos também estimularam as vendas do grão do Brasil.

“O que tende a acontecer agora é a China reforçar as compras de soja do Brasil, tentando evitar o grão americano, que passa a ficar muito caro para eles”, diz ela, que lembra que a partir de 2019 as exportações brasileiras de soja mudaram de patamar.

Ela diz que a expectativa para 2025 é que as exportações do grão atinjam 107 milhões de toneladas, quebrando o recorde de 2023, projeção que ainda não leva em conta o impacto da guerra comercial.

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