A indicação está nas mãos do Senado, e agora o jogo virou. O presidente Lula oficializou nesta quarta-feira (1º) o envio do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), formalizando um processo que levou mais de quatro meses desde o anúncio público. A partir de agora, começa a etapa mais delicada: convencer os senadores a aprovar o nome do advogado-geral da União.
O caminho não será fácil. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, nunca escondeu que preferia outro nome para a vaga, e a frieza com que recebeu a indicação de Messias ao longo dos últimos meses diz muito sobre o nível de resistência política que o governo vai enfrentar. Para ser aprovado, Messias precisa de 41 votos entre os 81 senadores, maioria absoluta que exige articulação fina e muita conversa nos corredores do Congresso.
Quem é Jorge Messias? Procurador da Fazenda Nacional desde 2007, ele comanda a AGU desde o primeiro dia do governo Lula e é visto como um jurista de alto nível técnico. Seus apoiadores destacam sua capacidade de defesa do Estado; seus críticos argumentam que sua proximidade com o Executivo levanta dúvidas sobre a independência que se espera de um ministro do Supremo.
A CCJ do Senado vai conduzir a sabatina, o momento em que Messias responderá perguntas dos senadores sobre sua trajetória, suas posições jurídicas e sua visão sobre o papel do STF. É uma sessão que costuma ter hora para começar, mas nunca para terminar.
O Brasil está de olho. Uma vaga no STF é para a vida toda e a decisão sobre quem vai ocupá-la molda o futuro do país por décadas. A briga pelo Supremo nunca foi só jurídica: ela é, acima de tudo, profundamente política.







