Um número que merece pausa para ser absorvido: 43%. Essa é a redução no índice de abandono escolar registrada após dois anos do programa Pé-de-Meia, iniciativa do governo federal que paga um incentivo financeiro mensal para estudantes do ensino médio de famílias de baixa renda. Os dados, divulgados nesta quarta-feira (1º), mostram que dinheiro no bolso pode sim mudar a relação de jovens brasileiros com a escola.
O Pé-de-Meia funciona assim: estudantes matriculados no ensino médio público e inscritos no CadÚnico recebem um benefício mensal que incentiva a frequência e a aprovação. A lógica é combater um dos maiores inimigos da educação no Brasil a necessidade de trabalhar cedo, que empurra milhões de jovens para fora das salas de aula antes de terminarem os estudos.
Os resultados vão além da queda no abandono. Segundo o Ministério da Educação, a frequência escolar também aumentou entre os beneficiários, e as taxas de aprovação melhoraram de forma consistente. São jovens que, sem o programa, provavelmente estariam fora da escola e agora estão construindo um futuro diferente.
Para um país que ainda enfrenta sérios desafios educacionais com desigualdades profundas entre regiões e grupos sociais , uma queda de 43% no abandono escolar é mais do que uma estatística. É uma virada de chave. É a prova de que políticas públicas bem desenhadas salvam trajetórias de vida.
O desafio agora é garantir a continuidade e a expansão do programa. Com a discussão sobre o ajuste fiscal em pauta, o Pé-de-Meia precisa de proteção orçamentária para que os resultados conquistados não se percam. Porque cada jovem que fica na escola é um Brasil melhor no futuro.







