Domingo é o dia oficial do almoço em família na nossa região, e um dos pratos mais tradicionais da culinária de Goiás é o frango com pequi. No entanto, quem foi às feiras de Goiânia e Senador Canedo neste final de semana levou um susto que doeu diretamente no bolso. O fruto, considerado um verdadeiro patrimônio imaterial do nosso estado, atingiu valores históricos, chegando a custar o triplo do que era cobrado no ano passado.
A safra atual do pequi sofreu um baque gigantesco por conta das condições climáticas adversas. A seca prolongada, que castigou duramente o cerrado brasileiro ao longo dos últimos meses, e o aumento das queimadas destruíram áreas significativas de pequizais nativos. Com a oferta despencando, a lei da oferta e da procura entrou em ação com força total, transformando a bacia de pequi em um artigo de luxo nas feiras livres.
A revolta nas feiras do Cepal do Setor Sul e da Vila Nova era palpável. Moradores que costumam comprar sacos enormes do fruto para congelar e usar o ano todo, tiveram que se contentar com punhados muito mais modestos. Feirantes relataram que o choro e a reclamação eram gerais, mas que eles próprios estavam pagando caríssimo aos fornecedores vindos do norte de Minas e do interior goiano para conseguir colocar o produto na banca.
Na internet, o preço do pequi virou o meme do dia. Tivemos pessoas sugerindo financiamento pela Caixa Econômica para conseguir comprar uma dúzia de frutos, enquanto outros diziam que dariam panelas de arroz com pequi como presente de casamento. Apesar das brincadeiras, a situação levanta um alerta sério sobre os impactos visíveis das mudanças climáticas e do desmatamento na cultura e na mesa da população.
Para os apaixonados pelo fruto, resta pesquisar bastante, tentar negociar no final da feira quando o movimento cai, ou apelar para o purê de pequi em conserva que rende um pouco mais. A certeza é que, pelo menos nesta safra, roer o caroço de pequi passou de um costume popular a uma demonstração clara de ostentação no almoço de domingo.







