Começa nesta terça-feira, 16 de junho, a 27ª edição do Fica, o Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, na cidade de Goiás. O evento segue até 21 de junho com cinema, debates, oficinas, atividades formativas, shows e programação gratuita. O tema deste ano é “Água e Clima no Brasil das Nascentes”, o que já deixa claro que a conversa vai muito além de filme bonito com árvore ao fundo.
O Fica é um daqueles eventos que Goiás deveria tratar como patrimônio cultural vivo. Ele junta audiovisual, meio ambiente, turismo, educação, arte e debate público em uma cidade histórica que já parece cenário antes mesmo de ligar a câmera. A cidade de Goiás ganha movimento, recebe visitantes, lota pousadas, movimenta restaurantes e vira ponto de encontro para gente da cultura, da ciência, da comunicação e do público curioso.
E o mais interessante é que cinema ambiental não precisa ser aquele assunto pesado, distante e com cara de palestra obrigatória. Quando bem feito, ele mostra que água, clima, cerrado, queimadas, nascentes e mudanças ambientais não são temas abstratos. Afetam a comida, a conta de energia, o calor dentro de casa, a chuva que não vem, a poeira, o rio que seca e a vida de quem mora aqui.
Para o goiano, esse assunto é ainda mais próximo. O estado vive a força do agro, a pressão urbana, o crescimento das cidades e os efeitos do clima de forma direta. Falar de água e clima em Goiás não é moda. É necessidade.
A programação também vai além das telas. O Fica 2026 tem mostras competitivas, exibições especiais, atividades educativas, debates e atrações musicais. Entre os nomes nacionais anunciados para a edição estão Xande de Pilares e Vanessa da Mata, que se apresentam nos dias 19 e 20 de junho.
Esse tipo de mistura é inteligente. Algumas pessoas chegam pelo cinema. Outras chegam pelo show. Outras vão pelo turismo. Outras aparecem porque a cidade fica viva. No meio disso tudo, o festival consegue colocar uma pauta séria em circulação sem transformar a experiência em sermão.
No fim, o Fica começa lembrando que cultura também pode ensinar, provocar, movimentar economia e fazer o público olhar para o próprio território com mais atenção. E se der para fazer isso com cinema, música e uma cidade histórica como cenário, melhor ainda.







